Pinheiro Machado. Da tribuna para a avenida e agora para a chon. * Pádua Marques.

Regional
Data 29/05/2026 Leitura 4 min

Pinheiro Machado. Da tribuna para a avenida e agora para a chon. * Pádua Marques.

 

Antes de se transformar literalmente busto numa avenida, o advogado e administrador de empresas José Pinheiro Machado foi uma das vozes mais atuantes no cenário político piauiense na década de 70 e até hoje inspira respeito e admiração. O deputado federal pela ARENA entre 1971 e 1975 iniciou sua vida política ao lado de outro parnaibano da sua mesma idade, Alberto Tavares Silva.

No período da ditadura Vargas estréia na política fazendo parte da primeira Câmara Municipal, presidida pelo médico Cândido Athayde, da UDN, partido de maioria e que dava sustentação ao prefeito. Entre 1953 e 1954 foi presidente daquele legislativo sendo substituído por Benedito Narciso da Rocha. Logo em seguida retomou suas atividades empresariais e acadêmicas.

José Pinheiro Machado nasceu em Parnaíba no dia 25 de novembro de 1918, filho do comerciante e industrial Pedro Machado de Moraes e de Maria de Lourdes Pinheiro Machado. Bacharel em Direito pela Faculdade Federal de Direito do Piauí em 1959 e administração de empresas pela Universidade Federal do Ceará, tinha cursos de Relações Humanas no Instituto Dale Carnegie, nos Estados Unidos, onde foi radialista da Voz da América para o Brasil.

Quando fez um breve hiato político na década de 70 exerceu outras atividades como, presidente da Rádio Educadora de Parnaíba, Fundação Educacional, vice-presidente da Companhia de Luz e Força, diretor da companhia Telefones Norte do Piauí, presidente da Água e Esgotos do Norte do Piauí, conselheiro do SESC e professor titular do curso de Administração de Empresas da Universidade Federal do Piauí.

Mas a atuação política de Pinheiro Machado pode hoje ser mais e melhor estudada nos anos em que exerceu mandato na Câmara dos Deputados em Brasília, eleito pela ARENA, a temida Aliança Renovadora Nacional, partido criado pela Redentora, o golpe militar do dia 31 de março de 1964 e que tirou do poder o presidente João Goulart.

Pinheiro Machado foi ao seu tempo um político antes de tudo preocupado com os problemas brasileiros. À época, fez críticas sobre o ensino superior no Brasil, apoiou a introdução do décimo terceiro salário para o funcionalismo público federal e chegou a sugerir medidas para diminuir os acidentes de trânsito. Internamente, quer dizer, defendendo os interesses piauienses, principalmente dos parnaibanos, conseguiu em 1976 no Ministério da Educação e Cultura uma verba de Cr$ 30 mil para a continuação das obras da Escola Jardim da Infância Marly Araújo, para os filhos de ferroviários.

Já em 1976 comunicava ao diretório de seu partido em Parnaíba, haver conseguido a liberação de Cr$ 50 milhões para a aplicação ainda naquele ano na construção do porto de Luiz Correia e com o MEC, a liberação de Cr$ 6 mil para a União dos Estudantes Parnaibanos. A edição de 20 de novembro de 1976 do jornal Folha do Litoral, dirigido por Bernardo Batista Leão anunciava que Pinheiro Machado pronunciara um discurso na Câmara dos Deputados defendendo a conveniência de um aeroporto internacional em Parnaíba. O deputado Pinheiro Machado morreu no dia 21 de novembro de 1982.

Faz me recordar de um dia, quando tentei ser poeta e escrevi um poema pequeno que diz assim: Triste sina a das estátuas. Verões ou invernos, solitárias, mudas. Suportam o frio e o calor intensos. E a insolência dos pombos e das águias. *Pádua Marques, romancista, cronista e contista. Da Academia Parnaibana de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba. 

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