A essa altura da tarde desta segunda-feira, já tem gente colocando a camisa da Seleção Brasileira no cesto de roupa suja, debaixo do colchão velho, servindo de fralda pra bunda de velho, fralda de menino, pano de chão, tapete de banheiro, limpador de vômito de bêbado e tantas outras utilidades que acompanham o brasileiro comum no seu dia- a dia.
Nessa altura, centenas de donos de lojas não sabem onde esconder a cara com os estoques abarrotados de camisetas amarelas que agora não tem quem apareça pra dar um real por elas. Gente que foi dormir ontem à noite, se é que conseguiu dormir babando no travesseiro, espumando de raiva, fulo, xingando Deus e todo mundo, Neymar e Anceloti pela humilhante derrota para a seleção da Noruega.

Na rua lá de casa, que já em dias normais já é um cemitério de silêncio, não se ouviu um pio de coruja ou um latido de cachorro, um resmungo, nada. E assim foi em todo o Brasil nessa segunda-feira nas praças, mercados, shoppings, paradas de ônibus, escolas, igrejas. Dia igual só aquele quando a Organização Mundial da Saúde anunciou que estávamos, o mundo diante de uma pandemia de covid 19.
Um horror! Porque todo mundo diz que o brasileiro é assim e assado, mas que no fundo ele não gosta de perder . A Seleção Brasileira de Futebol é para ele, um símbolo nacional, tão importante e respeitado quanto a bandeira e o hino. Teve gente que nem quis mais saber do churrasco, da cerveja. Os fogos de artifício foram esquecidos, o que fez a alegria dos cachorros e dos autistas. Tem gente que largou a dizer nome feio, insultar vizinhos, conhecidos, desconhecidos.

O brasileiro é assim mesmo. Adora sua seleção como se seu filho jogasse nela. Pode até nunca ter jogado uma pelada quando menino, mas na hora do jogo do Brasil, vira patriota, canta seu hino, pode até cantar errado, mas canta, estufando o peito, está lá, torcendo, vibrando, cantando, pintando a rua, desenhando nos muros, levando a bandeira nacional pra cima e pra baixo. Chega a comprar até uma televisão imensa, como de quisesse estar dentro do campo.
Brasileiros que se endividaram, fizeram empréstimos pra ir aos Estados Unidos, torcer pelo Brasil, cheios de vida e de esperança. Levaram a mulher, a sogra, os cunhados, filhos, netos, se privaram de estar acomodados no sofá da sala, foram andar em Nova Iorque de cara pra cima, comendo enlatados, bebendo Coca-Cola, contando moedas pra quê? O Brasil já não é mais o país do futebol, o país que deu Pelé e Garrincha. O Brasil perdeu pra Noruega que fez assim com a gente: Uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!