Beira Rio, Beira Vida é a obra mais citada sobre a identidade cultural do Piauí pela APL.

Por iniciativa do advogado e acadêmico Reginaldo Miranda, membros da Academia Piauiense de Letras (APL) selecionaram as obras que, em seu entendimento, melhor expressam a identidade cultural do Piauí. O levantamento, realizado em fevereiro deste ano, buscou consolidar uma “biblioteca básica” capaz de traduzir a alma e a “piauiensidade”.

A consulta foi enviada por Miranda — ex-presidente e atual tesoureiro da instituição — aos seus pares, solicitando a indicação de até dez obras, sem distinção de gênero literário. Dez acadêmicos responderam à convocação em um prazo de seis dias: Maria do Socorro Rios Magalhães, Elmar Carvalho, José Itamar de Abreu Costa, Dilson Lages Monteiro, Luís Ayrton Santos Jr., Felipe Mendes, Carlos Evandro, Reginaldo Miranda, Anfrísio Lobão Castelo Branco e Zózimo Tavares.

O Cânone Piauiense

Ao todo, foram citadas 67 obras. O título mais votado foi o romance Beira Rio, Beira Vida, de Assis Brasil, que recebeu quatro votos individuais e três menções como parte de sua Tetralogia Piauiense. Para fins de organização, a lista consolidada das dez obras mais citadas é encabeçada pela própria Tetralogia.

O segundo lugar, após critérios de desempate, coube a A Lira Sertaneja, de Hermínio Castelo Branco. Completam o “Top 10” as seguintes obras, que obtiveram três votos cada:

  • Curral de Serras (Alvina Gameiro);
  • Zodíaco (Da Costa e Silva);
  • O Homem e sua Hora (Mário Faustino);
  • Ulisses entre o Amor e a Morte (O. G. Rego de Carvalho);
  • Mandu Ladino (Anfrísio Neto Lobão C. Branco);
  • Caatingas e Chapadões (Francisco de Assis Iglésias);
  • Ataliba, o Vaqueiro (Francisco Gil C. Branco);
  • A Voluntária da Pátria (Humberto Guimarães).

Diversidade e Critérios

O levantamento revelou uma vasta gama de referências, incluindo obras históricas, sociológicas e poéticas, como Cronologia Histórica do Piauí (Pereira da Costa) e Os Últimos Dias de Paupéria (Torquato Neto), além de estudos contemporâneos sobre escravidão e economia colonial.

Os acadêmicos ressaltaram o caráter subjetivo da escolha. A professora Socorro Rios destacou que a seleção reflete o “gosto pessoal” e a memória afetiva de leitura. Já Elmar Carvalho optou por restringir suas indicações a autores falecidos e obras puramente literárias. Acadêmicos como Dilson Lages, José Itamar e Zózimo Tavares ponderaram que o número de indicações poderia ser ampliado, dada a riqueza da bibliografia estadual. “O Piauí já possui uma produção muito vasta; é difícil sintetizar tudo em apenas dez itens”, afirmou Luís Ayrton.

Tradição e Futuro

A iniciativa de Reginaldo Miranda recupera uma tradição da própria APL. Nas primeiras décadas do século XX, Lucídio Freitas, um dos fundadores da Casa, realizou consultas semelhantes na imprensa da época.

Diante do sucesso da enquete, a professora Socorro Rios já planeja a organização de um seminário para estudar e debater as dez obras mais votadas, fomentando o diálogo acadêmico sobre a literatura e a historiografia piauiense.

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Pádua Marques

Jornalista, cronista, contista, romancista e ecologista.

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