Estudantes do curso de Letras – Português da Universidade Estadual do Piauí, Campus de Parnaíba, transformaram o centro histórico da cidade em um verdadeiro percurso de leitura e memória durante a 1ª Caminhada Literária “A Parnaíba dos Livros”. A atividade reuniu literatura, patrimônio cultural e experiências práticas de ensino ao conduzir os participantes por espaços simbólicos que ajudam a contar a história e a identidade da região.
A iniciativa reuniu alunos do bloco VI em um percurso por nove locais históricos, com início no Sesc Caixeiral. Acompanhados pelo historiador e museólogo Jedson Martins e pelo museólogo Rodrigo Portela, os estudantes foram conduzidos por espaços que preservam a memória e a produção literária parnaibana.
Logo no primeiro ponto, os participantes conheceram a Biblioteca Rubem Freitas e o Espaço Assis Brasil, onde estão reunidas obras que destacam a riqueza da literatura local. Em seguida, o grupo visitou o Gabinete de Leituras de Parnaíba, onde teve acesso à trajetória do tradicional almanaque da cidade, além de um acervo que reúne referências culturais de diferentes períodos.
A programação seguiu para o Museu do Mar, na Biblioteca Beira Rio, Beira Vida. No local, o estudante Francisco Leonardo realizou a declamação da obra “O Velho Cais”, integrando literatura e ambiente histórico. A caminhada continuou até o Porto das Barcas, um dos cartões-postais da cidade, onde o aluno Isaac Jamerson apresentou trechos descritivos sobre Parnaíba, reforçando o vínculo entre espaço urbano e narrativa literária.
Foram recepcionados com música ao vivo. No local, a acadêmica Carolina Ciarlini recitou o poema “A Mulher”, em homenagem à autora, considerada a primeira poetisa do Piauí. A programação seguiu no casarão de Simplício Dias da Silva, onde os participantes acompanharam uma apresentação sobre o patrimônio histórico e cultural da cidade, incluindo referências à Independência do Brasil em Parnaíba.
Ao longo do percurso, a experiência também provocou reflexões entre os estudantes sobre a relação entre memória, pertencimento e preservação. Para a aluna Adrielly Freitas, a caminhada representou um novo olhar sobre a cidade onde sempre viveu. “Foi uma experiência única e inesquecível. Sempre morei em Parnaíba, mas não tinha total noção das riquezas históricas que nossa cidade possui. Assim como muitos também não devem ter, o que é um total desperdício, e isso vai caindo em esquecimento, já que nem todas as estruturas possuem uma boa preservação e vão sendo, aos poucos, destruídas e substituídas”, destacou.
Na etapa final do percurso, o grupo visitou a Praça da Graça, espaço simbólico da vida urbana e cultural da cidade, e o Cajueiro de Humberto de Campos, que inspirou obras do autor. O encerramento ocorreu no Cemitério da Igualdade, onde está sepultada Luiza Amélia de Queiroz.
O momento final foi, inclusive, o mais marcante para Adrielly. “A visita ao túmulo de Luiza Amélia, onde tudo termina, foi o que mais me tocou. Ali estão enterrados muitos sonhos, mas entre esses sonhos há um que se concretizou através da luta para dar voz à literatura feminina piauiense, e foi isso que me incentivou a compartilhar essa experiência”, relatou.
Segundo a estudante, a atividade também teve impacto direto em sua formação acadêmica e perspectivas futuras. “Contribuiu bastante para a minha formação, me inspirou a desenvolver essa e futuras publicações, a registrar e compartilhar, dando mais visibilidade a patrimônios culturais locais importantes”, completou.
A caminhada contou ainda com a presença de representantes da Rádio UFDPar e do professor Claucio Ciarlini, membro da Academia Parnaibana de Letras. A atividade foi organizada pelas professoras Shenna Rocha e Iramí Mineiro, em parceria com o Sesc Caixeiral.
Mais do que uma visita guiada, a ação proporcionou uma experiência de aprendizado que aproximou os estudantes da história e da produção literária local, transformando os espaços da cidade em cenários vivos de leitura, memória e identidade cultural.