Registros extraídos do celular de Daniel Vorcaro colocaram o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no raio das investigações sobre o Banco Master. Entre o material apreendido pela Polícia Federal constam trocas de mensagens entre o banqueiro e o parlamentar, além de autorizações de pagamento a um destinatário identificado apenas pelo primeiro nome “Ciro”. O material foi repassado ao ministro André Mendonça, do STF, e reforça nos bastidores jurídicos o argumento pelo qual o inquérito deve seguir sob a competência da corte, dado o envolvimento de nome com foro privilegiado.
O senador, procurado pela reportagem, admitiu conhecer Vorcaro, mas rejeitou qualquer vínculo mais estreito e descartou ter recebido valores provenientes do esquema. Classificou como inverídica qualquer leitura que associe as menções ao nome “Ciro” nos registros à sua pessoa. Até o momento, nenhuma investigação formal foi aberta contra o parlamentar no âmbito da operação.
O conteúdo das mensagens trocadas entre Vorcaro e Nogueira, segundo os investigadores, não aponta, por si só, para a prática de crimes: os diálogos abordam temas políticos gerais, conversas cotidianas e combinações de encontros. O tom, no entanto, revela proximidade. Em determinado momento, o banqueiro qualifica o senador como um de seus amigos mais próximos.
O elemento que mais concentra atenção dos investigadores é a coincidência de datas. Em 13 de agosto de 2024, Vorcaro enviou mensagem comemorativa a interlocutores, descrevendo um evento do dia como uma “bomba atômica no mercado financeiro”. A data corresponde à apresentação, por Ciro Nogueira, de uma emenda à PEC de autonomia financeira do Banco Central com proposta de ampliar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. A medida era diretamente favorável ao modelo de negócios do Master, que utilizava a garantia do FGC como argumento central para captar recursos por meio de CDBs junto a investidores pessoa física, conforme documentado pelo Estadão em agosto do ano passado.
Os registros de repasse surgem em conversa entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel, apontado pelas investigações como o responsável pelas operações financeiras do grupo. Em maio de 2024, Zettel encaminhou ao banqueiro uma relação de pagamentos pendentes solicitando ordem de prioridade, com menção explícita a um “pagamento pra Ciro”. Vorcaro autorizou os repasses listados. A identidade do beneficiário, contudo, permanece indefinida: a PF ainda não acessou os dados bancários que permitiriam rastrear o destinatário e confirmar se o nome corresponde ao senador ou a outra pessoa do relacionamento do banqueiro.
Uma terceira conexão ao nome aparece em mensagem do deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), que solicitou a Vorcaro uma reunião conjunta envolvendo os três. O deputado não respondeu aos contatos da reportagem.