Na semana passada uma declaração do governador Zé Filho e divulgada na imprensa me deixou com as orelhas em pé. Durante encontro estadual do PSD em Teresina, dia 23, o governador chegou ao evento assim, de surpresa e ao mesmo tempo tomando chegada como quem vai pra algum lugar arriscando no ouvido. Coisa de caçador caminhando em trilha com medo de pisar em graveto. Não deu outra. Na hora de falar e saudar os presentes Zé Filho soltou a língua e não deixou recado. Mas tem pra quem puxar o sobrinho de Mão Santa.
Disse que vai entregar a obra inacabada do porto de Amarração em Luiz Correia ao Governo Federal porque não vai ficar com uma responsabilidade dessas pro Piauí. Zé Filho fez estas declarações dias depois de a presidente Dilma Rousseff ter vindo ao Piauí e até em Parnaíba pra entregar umas casas do programa Minha Casa, Minha Vida pra mais de 900 famílias lá no Rosápolis. O que se sabe é que a conversa do porto sem fim de Amarração foi motivo de pedido de Zé Filho pra presidente que prometeu que esta obra de rosca vai ser incluída no PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento. Então, adeus porto da Eternidade.
A presidente disse na ocasião que a questão da viabilidade do porto de Amarração deve ser olhada pela eficiência e o custo mais barato possível. Eu nem preciso encompridar conversa pra entender que mais uma vez a coisa vai ficar igual quando se está na parada das vans debaixo daquele oitizeiro na praça de Santo Antonio em pleno sábado, após o meio-dia e olhando pra direita e depois pra esquerda na incerteza mais que certa de que ela não vem mais. Dando uma espiada com calma no discurso de Dilma, assim com aquela paciência de quem debulha milho ou feijão verde, dá pra se entender o que ela quis dizer com esta, “eficiência” ou o “… o custo mais barato possível”.
Então a situação do porto de Amarração mais agora depois da visita de Dilma Rousseff e das declarações de Zé Filho ficou igual à situação daquela avó que tendo pegado pra criar o neto malino, taludo, metido a valente e de cangote grosso e a velhinha já vendo que não tem mais força no braço e nos caroços dos dedos pra lhe puxar as orelhas e nem sustança pra lhe dar umas boas lapadas de relho, que ele não tem mais jeito, agora resolve entregar aquele animal, o jumento desembestado pra mãe tomar conta porque não tem mais reza que dê jeito. Pega que o filho é teu, como se dizia na música da Nega Maluca.

Eu estou canso de dizer que boa parte do atraso e da insignificância política do Piauí se deve à baixa representação parlamentar de nossa bancada no Congresso Nacional. Uma pá de senadores e deputados federais que não tem o peso de uma pena de pinto nas discussões, projetos de lei, requerimentos e nas comissões técnicas. Faz vergonha a bancada piauiense ter três senadores e mais um tanto de deputados federais e a resposta ao povo que os elegeu é uma infâmia. Eles ao que parecem se pelam de medo de fazer um pronunciamento, apresentar um documento legislativo. O resultado disso tudo está aí pra todo mundo ver.
Porque a uma altura dessas da história ainda tem deputado e senador que troca a representação a ele conferida pelo povo pra andar pelo mundo dando uma de turista e se arvorando de representar o Piauí em eventos sem a menor importância. Ou ficam rodando que nem peru ou cego em meio de procissão. Um desses casos recentes é o do deputado Hugo Napoleão, que já foi de um tudo um pouco: senador, ministro, governador, deputado federal e atualmente está em Brasília mais apagado que charuto em boca de bêbado. Pois não é que ele me sai daqui do Brasil, num momento delicado pra todos nós e vai lá pra Israel sabe lá com que propósito. Me sai ele daqui pra fazer, como se diz na congada, fazer embaixada e no reisado, tirando reis sem viola!
Seu Hugo, deixe essa gente de mão! Esse pessoal de Israel e da Palestina já está com a vida ganha e os Estados Unidos pra tomar de conta deles! Deixe esse pessoal se pegar! Eles só vivem dentro de confusão! Saia de perto deles senão acaba sobrando mãozada no pé do ouvido é pro senhor! Essa gente precisa tomar jeito de gente civilizada pra uma conversa! Precisa agora um deputado do Piauí pra intermediar uma causa da justiça internacional que, nem Deus, que é o mais antigo advogado em atividade no mundo e quem primeiro tirou a carteirinha da OAB, mais antigo que Sobral Pinto, Evandro Lins e Silva e Barbosa Lima Sobrinho, tudo junto, conseguiria dar jeito. Bancada piauiense em Brasília, é por essa e por outras que nós estamos do jeito que estamos! Este artigo foi escrito e publicado em 26. 05. 2014.