O Piauí deve enfrentar um trimestre marcado por poucas chuvas, temperaturas acima da média e agravamento gradual da seca em diversas regiões do estado. O alerta consta em nota técnica divulgada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos , que traça o cenário climático para os meses de junho, julho e agosto de 2026.
Segundo o documento, não há indicativos de recuperação hídrica para o estado durante o período. Pelo contrário: a tendência é de manutenção das condições típicas da estação seca, com chuvas escassas e irregulares, aumento da evaporação e maior pressão sobre reservatórios, atividades agropecuárias e comunidades rurais.
A análise da Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos da Semarh mostra que os maiores impactos devem ser sentidos principalmente nas regiões Sudeste e parte do Sudoeste piauiense, áreas que já encerraram o primeiro semestre com os níveis mais severos de seca do estado.
Mapas indicam chuvas abaixo da média
Os mapas climáticos apresentados na nota técnica revelam que praticamente todo o território piauiense deverá registrar precipitações dentro da média histórica ou abaixo dela ao longo do trimestre. Na prática, isso significa que as chuvas esperadas para o período serão insuficientes para recompor reservatórios ou recuperar a umidade do solo.
As imagens de precipitação mostram que apenas o extremo Norte do estado poderá registrar episódios isolados de chuva no início de junho. Mesmo nesses casos, os eventos tendem a ser localizados e de curta duração, sem capacidade de alterar o cenário geral de estiagem.
A situação se agrava em julho e agosto, quando a tendência é de consolidação do período seco em praticamente todo o Piauí, com redução ainda maior dos volumes de chuva e aumento da insolação.
Temperaturas acima da média em todo o estado
Outro fator que preocupa os especialistas é o comportamento das temperaturas. Os modelos analisados pela Semarh apontam anomalias positivas em praticamente todo o território piauiense, indicando calor acima da média climatológica para a época do ano. O mapa térmico apresentado na nota técnica mostra o estado praticamente inteiro sob influência desse aquecimento.
De acordo com os técnicos, a combinação entre menos nuvens, maior incidência de radiação solar e baixa umidade do ar favorece o aumento das temperaturas e da evapotranspiração, processo que acelera a perda de água do solo e da vegetação.
Agricultura e abastecimento podem ser afetados
A Semarh alerta que o cenário previsto pode ampliar os efeitos da seca agrícola, especialmente sobre sistemas de sequeiro, agricultura familiar, pastagens naturais e propriedades com baixa capacidade de armazenamento de água.
Os impactos também podem atingir o abastecimento rural. Segundo a nota técnica, temperaturas elevadas aumentam as perdas por evaporação em açudes, pequenos reservatórios, barreiros e demais mananciais superficiais, reduzindo a disponibilidade hídrica para consumo humano, dessedentação animal e atividades produtivas.
El Niño pode reforçar cenário de calor
O documento destaca ainda que os modelos oceânicos e atmosféricos indicam elevada probabilidade de formação do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre. Embora seus efeitos dependam de outros fatores climáticos, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico tende a favorecer temperaturas mais altas e maior irregularidade climática sobre parte do Nordeste brasileiro.
Para os especialistas, a possível atuação do fenômeno reforça o cenário de atenção já previsto para o estado.
Risco maior de queimadas
Além da escassez de chuvas e do aumento do calor, a Semarh chama atenção para a possibilidade de crescimento gradual dos focos de queimadas durante os próximos meses. O órgão recomenda ações preventivas para reduzir riscos ambientais e evitar a propagação de incêndios em áreas de vegetação seca.
Regiões mais vulneráveis
Conforme a nota técnica, o Sudeste e parte do Sudoeste do Piauí concentram atualmente os maiores níveis de severidade da seca e devem permanecer como áreas prioritárias para monitoramento. Os especialistas recomendam reforço nas ações voltadas ao abastecimento rural, uso racional da água, apoio à agricultura familiar e planejamento da suplementação alimentar para rebanhos.
O órgão recomenda acompanhamento constante dos indicadores climáticos e hidrológicos para minimizar impactos sobre a população, a produção agrícola e os recursos hídricos do estado.