Piauiense vende sanfona para seguir carreira de investigador no Ceará.

Nacional
Data 16/07/2026 Leitura 3 min

Desde pequeno, o piauiense Mateus Felipe de Oliveira Vitório aprendeu a valorizar os grandes nomes do forró tradicional. Na casa da família, em Teresina, no Piauí, as vozes e acordes de artistas como Luiz Gonzaga e Dorgival Dantas ecoavam com frequência, o que fez com ele logo se interessasse pelo som da sanfona e, alguns anos mais tarde, comprasse a sua própria, realizando um sonho de infância. 

 

O que ele ainda não sabia é que o instrumento seria ponte, uma década depois, para outra grande realização: se tornar investigador de Polícia. Em 2026, após anos tocando sanfona – por hobby e profissionalmente, no grupo de forró Trio GM, que criou junto aos primos Gabriel e Gustavo –, Vitório decidiu se desfazer de sua fiel companheira para viabilizar o início da carreira de oficial, após ser aprovado em um concurso público para a Polícia Civil do Ceará (PCCE).

O piauiense de 27 anos precisou vender o instrumento musical para conseguir arcar com os custos da mudança, os primeiros meses de aluguel em Fortaleza e o enxoval do curso na Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp-CE), que inclui fardas, mochila e coturno para uso profissional.

“Quando resolvi só estudar para passar no concurso, fiquei com a situação financeira bem crítica para poder viajar, e o único bem que eu tinha para me ‘desfazer’ era a sanfona”, explica. “Foi uma decisão muito difícil, porque a sanfona é uma terapia para mim. Quando a gente chegava estressado, a gente ia tocar, então era uma válvula de escape”, completa.

Aos amigos e familiares, Mateus sempre diz que vendeu a sanfona, mas não o dom, e que pretende voltar à música em breve. Por ser um instrumento caro, ele projeta conseguir comprar uma nova até o meio do ano que vem.

Assim como a música, se tornar investigador era uma vontade de infância, inspirada por familiares que trabalhavam como policiais. Após se formar em Direito em 2021, Mateus passou alguns anos estudando e finalmente conseguiu a aprovação no concurso desejado, tomando posse no fim de maio deste ano.

“O meu objetivo é terminar o curso de formação, começar a trabalhar na Polícia, mas não deixar de lado a sanfona. Ainda não sei como vai ser, se eu vou continuar tocando em lugares públicos ou só eventos particulares, mas eu ainda pretendo continuar tocando”, conta. “Nunca me interessei por outro instrumento, só a sanfona mesmo, que é a minha paixão”.

Fã de Waldonys e Dorgival Dantas, Vitório conta que tem aplacado a saudade do instrumento ouvindo e assistindo apresentações de artistas de sanfoneiros. Apesar de ter aberto mão da carreira musical, ele relata estar satisfeito com a conquista e ansioso pelo novo momento profissional.

“A expectativa é muito boa, porque é aquilo que a gente sempre lutou para ter, para conseguir, e um dia conseguir aquilo é um sentimento muito gratificante”, destaca. “E estou me adaptando muito bem, sendo muito bem recebido aqui por todos, graças a Deus”.

 

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