Daqui de onde estou escrevendo estas poucas linhas, ainda ouço num aparelho de som da vizinhança uma música lembrando o velho e bom São João. Ouço Luiz Gonzaga e seus grandes sucessos, que sempre e nesta época tocam a todo minuto.
E me ponho a recordar que como pode um homem, um sertanejo, um filho de camponês, nascido no interior de Pernambuco, chamar pra si todo uma época, um festa, uma região, louvar sua infinita e rica cultura, Luiz Gonzaga é a cara de São João, Santo Antônio e São Pedro. De onde vem essa louvação tão gloriosa, tão rica e sublime, não tem no mundo pessoa que represente de forma tão imensa uma região e uma época e um povo. O Nordeste é este negro sanfoneiro, assim imenso, rico e destemido, que percorreu o Brasil de ponta a ponta, levando sua música, seus costumes, sua gente.
E daqui de onde ouço sua música, sinto sua presença viva, porque nossa terra é uma só, o Nordeste unido e louvando seu filho mais famoso, mais puro, mais destemido, que sem descanso soube com paciência cantar sua gente e hoje, morto já há muitos anos, permanece mais vivo do que nunca.