Um novo levantamento do Todos Pela Educação, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), mostra que um em cada quatro jovens brasileiros ainda não conclui o Ensino Médio até os 19 anos. Segundo o estudo, em 2025, 74,3% dos jovens dessa faixa etária haviam concluído essa etapa da educação básica, um aumento de 16,8 pontos percentuais em relação a 2016.
Entre os jovens que abandonaram ou atrasaram os estudos, 6,4% apontaram a necessidade de trabalhar como principal motivo, reforçando a importância de políticas públicas voltadas à permanência escolar.
As desigualdades regionais permanecem evidentes. O Sudeste (79,6%), o Centro-Oeste (75,4%) e o Sul (73,6%) registram taxas de conclusão acima da média nacional, enquanto Norte (69,1%) e Nordeste (69,3%) apresentam os menores índices.
Os motivos para a não conclusão também variam conforme a região. No Norte e no Nordeste, a maior parte dos jovens que ainda não concluiu o Ensino Médio permanece estudando, indicando que o atraso escolar continua sendo um desafio. Já no Sul, a necessidade de trabalhar aparece com mais força, sendo apontada por 9,1% dos jovens.
As desigualdades raciais também persistem. Em 2025, 81,7% dos jovens brancos e amarelos haviam concluído o Ensino Médio até os 19 anos, ante 69,5% dos jovens pretos, pardos e indígenas (PPI) — uma diferença de 12,2 pontos percentuais.
Educação infantil alcança recorde
O estudo mostra, por outro lado, que o atendimento na Educação Infantil permanece avançando. Em 2025, a categoria registrou o maior percentual da série histórica: 43,3% das crianças de 0 a 3 anos estavam matriculadas em creches. Mesmo assim, o índice ainda está abaixo da meta de 50% prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para 2024.
Na pré-escola, o atendimento de crianças de 4 e 5 anos chegou a 96,1% em 2025, também o maior patamar já registrado, aproximando o país da universalização dessa etapa.
Apesar dos avanços, o levantamento aponta que persistem desigualdades raciais, socioeconômicas e regionais, especialmente no acesso às creches. Como a matrícula de crianças de 0 a 3 anos não é obrigatória, é esperado que a taxa de atendimento não alcance 100%. Ainda assim, o estudo mostra que a principal razão para a ausência das crianças na escola continua sendo a opção dos próprios responsáveis, motivo citado por cerca de 35% das famílias ao longo de todo o período analisado.
Já a dificuldade de acesso diminuiu nos últimos anos: passou de 22,1% em 2022 para 17,1% em 2025, uma redução de cinco pontos percentuais. Mesmo assim, esse percentual representa cerca de 1,75 milhão de crianças, evidenciando a necessidade de ampliar a oferta de vagas em creches.