Hospital São Marcos diz que precisa R$ 4,2 milhões por mês e rebate acusações.

Regional
Data 06/07/2026 Leitura 3 min

Em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (6), o diretor técnico do Hospital São Marcos, Marcelo Martins apresentou balancetes que mostram que a instituição precisa de um aporte extra de R$ 4,2 milhões por mês para fazer novos atendimento aos pacientes com câncer no estado.

Semana passada, a direção do hospital suspendeu atendimento aos novos pacientes, devido a crise financeira, causando preocupação e revoltas. Marcelo Martins garantiu que os atendimentos as crianças, pessoas com leucemia e linfomas foram preservadas.

Na entrevista, o diretor apresentou documentos que mostram que o Hospital São Marcos recebe da União e Fundação Municipal de Saúde um total de R$ 5,1 milhões por mês e o governo do estado transfere R$ 900 mil por mês.

“O problema do Hospital São Marcos não é de gestão, mas de recursos. O hospital recebe menos que o resto do país. O problema é o subfinanciamento, excesso de custos. Preservar o hospital São Marcos não é preservar a diretoria, os prédios, é preservar a saúde pública do estado. Os gestores públicos têm obrigação constitucional de prestar assistência médica a população”, disse.

Ele iniciou a coletiva lembrando que o São Marcos existe há 73 anos, antes mesmo do SUS, gerando 2.500 empregos diretos. Ele destacou que o hospital vive da tabela do SUS, que é insuficiente para qualquer hospital público e filantrópico. 

Ele ressaltou o São Marcos é um prestador de serviço, que faz parte da rede de oncologia do estado. “Quem tem que coordenar essa rede é o gestor público, quem tem que comandar é o gestor público, quem tem que custear essa rede é o gestor público”, disse.

Levianas e irresponsáveis

O diretor reagiu as acusações de má gestão apresentando um relatório de uma renomada consultoria que garante que o hospital tem uma gestão eficiente e totalmente com os custos compatíveis com os outros hospitais do país.

“É uma acusação leviana e irresponsável. Não existe nenhuma distorção, nosso problema não é de gestão, mas de custeios”, disse Marcelo Martins.

Ele também apresentou uma tabela que mostra que o São Marcos recebe menos que outros hospitais oncológicos do país.

“O Hospital Oncológico Infantil do Pará recebe 4,51 a mais que o São Marcos que recebe 1,7”, disse o diretor.

Ele lembrou que a crise persiste e que a direção do hospital vem buscando soluções junto a Secretaria Estadual de Saúde,Governo Federal, Assembleia Legislativa, Ministérios Públicos Estadual e Federal e bancada federal.

“Há anos nessa luta e não recebemos nada de concreto. Não existe hospital no país, que presta serviço no nível que o São Marcos em qualidade e quantidade que tenha a mesma forma de remuneração. Somos Centro de Alta Complexidade em Oncologia e tratamos todos os tipos de câncer. Estão aparecendo novas unidades no Piauí, ainda bem”, disse.

O Hospital São Marcos em um ano atende mais de 39.800 pacientes e é um dos 10 hospitais com maior produção no país.

“Não proteger um hospital como esse é irresponsabilidade. Já fizemos apelos a várias instituições. O Hospital São Marcos é apartidário, não envolvemos em brigas políticas, nosso compromisso é com a saúde dos pacientes”, disse.

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