Ocorre de nesta terça-feira, dia 28 de julho, lembrar de um momento triste e decisivo, a morte pelas volantes de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião e seu bando em Angicos, interior de Sergipe há 88 anos, que não são 88 dias.

O Nordeste vivia um momento político importante e de mudanças. O cangaço não tinha mais vez e nem espaço naquele tempo de Getúlio Vargas. Virgulino Ferreira da Silva foi tocaiado em Angicos e morto pelas tropas do tenente Bezerra. Não teve um fim glorioso e à altura dos heróis da modernidade. Foi morto num momento de selvageria que ultrapassou os limites da civilidade humana, se é que se pode falar em civilidade quando se mata alguém.
Morto Lampião, virou uma lenda. Os testemunhos de seus feitos, hoje poucos, ainda raramente, falam do cangaceiro corajoso pra alguns, cruel pra outros, justiceiro pra outros. O certo é que ficou marcado no consciente coletivo de muitos nordestinos, aquele momento e aquele homem.

Outro que ficou entranhado, marcado como é marcado gado é um negro de boa altura, voz forte, destemido, elegante, filho de dona Santana e de Januário, um casal de agricultores de Exu, no Pernambuco. Com muito esforço, colocou a vergonha de lado e ganhou o mundo com sua sanfona, inventou o baião, mudou e incentivou os costumes, deu orgulho à sua gente. E aqui um caso raro. Qual a explicação pra arte desses dois homens? Noutra situação teriam com o tempo sido esquecidos. Um fala do outro, canta os feitos e os defeitos do outro, dá autonomia pra seus costumes, relevância pra sua gente, seus rios, crenças, tudo. Luiz Gonzaga é junho, mês de São João, Santo Antônio e São Pedro e agora São Luiz Gonzaga. No meio vem Virgulino, sua coragem, audácia, destemor. Nem dá pra encompridar conversa.