Toda essa polêmica que pedagogos seus defensores e aliados levantaram contra as redes sociais e a internet tem outros precedentes na história da Humanidade. Claro que em menor proporção. Muita gente, a maioria digo, maioria mesmo, se esquece e isso é normal na atualidade porque o ser humano adora se fazer de besta para colocar a culpa nos outros. É um tal de jogar a pedra e esconder a mão. aquele negócio de não é comigo…
Foi assim com outras invenções como o rádio, o telefone, a panela de pressão, o ferro de passar roupa e a televisão, essa birra de colocar a culpa nessa e em outras invenções. Não foi de meu tempo, mas no tempo do início do telefone, olhem que daqueles que hoje só se encontram nos museus e antiquários. A briga dentro de casa ou na empresa era para saber quem iria atender na hora que tocava.
Tinha gente que ficava no pé da mesa, rezando e pedindo a Deus para que tocasse somente para dizer alô. Foi ou não foi um tempo de mudanças? Depois veio o rádio, aquela coisa de madeira imenso, cheio de luzinhas, chiando, que tocava música do Francisco Alves, de Vicente Celestino e da Dircinha Batista. Falava do que estava acontecendo, dizia se iria chover, dava a hora certa, contava histórias, falava o preço das coisas da cozinha. Com o tempo perdeu a importância.

Lá mais para frente chegou a televisão. Essa foi pior. Passava filmes, tocava música, mostrava o mundo e seus animais, os povos desconhecidos, montanhas, rios, oceanos, navios, japoneses, indianos, negros africanos, índios do Brasil, fazia as pessoas chorarem, mostrava costumes, lojas, sapatos, tecidos, objetos de sala e de cozinha, fazia as pessoas comprarem panela de pressão, fogão a gás, a cozinheira já anda reclamando porque ficou sem serviço.
Não tinha quem arredadasse o pé de perto, todo mundo na sala, de boca aberta, sabendo de tudo e de toda parte, chamava a atenção dos vizinhos e dos filhos de desconhecidos, gente do outro lado da rua, vinham se sentar no nosso sofá, beber água da geladeira, tomar nosso café, os meninos peidarem na sala, riscarem as cadeiras. Essas coisas. Nossa casa virou casa de todo mundo. Bastava chegar a noite ou ter jogo de futebol!
Lá mais na frente veio o telefone celular e a internet. Feito o diabo e a mãe dele! Colocou o mundo de cabeça pra baixo. Fez todo mundo ficar ligado, falar mal uns dos outros, ver e ouvir o que não deve, fez estudante ficar valente, rebelde, marido matar mulher, velho querer ser novo, obrigou o camarada comprar o que o dinheiro não dá, fez muita gente fazer besteira, ser corno, se revelar, trair, ser traído, sonhar acordado, pobre andar de avião. Essa internet é uma tentação dentro e fora de casa. O certo é que ninguém quer levar a culpa de nada. Faz uma cagada, por menor que seja, a culpa hoje é das redes sociais.
Eu quero ver o que é que vai aparecer depois. Sim porque as relações humanas já estão mais piores e mais complicadas. Homem casa com homem, mulher beijando mulher, velho se revelando sem sexo, briga por ciúmes de mulher da vida, a Seleção não joga mais nada, o Parnahyba foi rebaixado, a cidade tem uma ponte que não passa ninguém, o porto Piauí vai descarregar minério de ferro no mar, drogas de todos os tipos rodando solto, roubos, assaltos, guerras no Oriente Médio, dedo na cara, Bolsonaro tá preso, xingamentos, troca de sexos. Ah, menino, o mundo ainda tem é coisa! E os nomes, instagram, facebook, Youtube…agora tem mais essa de IA, Inteligência Artificial. Pádua Marques, contista, romancista e cronista, da Academia Parnaibana de Letras, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba.